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quinta-feira, 3 de abril de 2014

OS MURROS QUE AS FACAS LEVAM

Todos sabemos que dar murros em pontas de faca não é adequado. Não é adequado por dois motivos: 1) não adianta. 2) vai doer.

Realmente, é o cúmulo entrarmos em situações que poderiam ser evitadas. É o cúmulo socarmos facas indefesas que não fizeram nada contra a gente a não ser estarem prontas para serem usadas quando precisarmos. Até que sejam empunhadas e provem o contrário, as facas estão a nosso favor. 
 
Esse texto não visa defender as mãos. É um manifesto a favor das facas. É muito claro que a culpa é exclusivamente das mãos. As facas são armas brancas (na verdade, cinzas) e inocentes. Só se tornam culpadas quando em punho. Esse texto é um pedido para as mãos se colocarem em seus devidos lugares.
 
Mãos, segurem as facas. Há um cabo para isso. (Na verdade mesmo, o ideal seria não precisarmos das facas pra nada e nos afastarmos completamente delas. [A menos que você seja o Wolverine que supera esse problema e nunca vai passar por isso porque simplesmente consegue dar murros COM pontas de faca])


Imagem meramente esfaqueativa

A faca é tão prestativa, mas tão prestativa, que até quando nós a amolamos ela melhora. Alguém por acaso já ouviu falar de alguém que cumpre o seu serviço melhor quando é amolado? Enquanto você pede PARA DE AMOLAR, SAI DAQUI! a faca se aprimora...
A faca não tem culpa de ter uma ponta que fere. A mão sim, tem culpa de desferir golpes contra uma coisa cortante. O enfrentamento é absurdo. Por que ter dó da dor que as mãos sentem se foram elas mesmas que procuraram por isso? Por que ninguém vê o lado da faca? Não seria uma desonra para a faca ser agredida por coisas que ela costuma cortar? Em defesa dela, que apenas cumpre com a sua função cortante, protesto contra todos os tipos de mãos que querem remar contra a maré e possuem o desplante de baterem em armas. 
 
Um dia, eu presenciei a mão se vangloriando diante da faca esmurrada. Ela dizia coisas como: "Estou tentando provar o quanto eu posso te machucar mesmo sentindo dor. Você não me fura mais do que eu te sujo de sangue. A cada murro desferido contra a sua ponta, sou eu quem me afio."
                                     
A faca, despontada, tentava explicar: "Você é muito presunçosa. Eu sou uma forma de expressar a agressão, e mesmo assim você me agride. Eu te ofereço um cabo, um encaixe de mãos... mas você prefere a ponta. Você parece uma criança subindo pela escada rolante que desce. É um erro feio você me usar de alvo quando na verdade eu sou a flecha que deveria ser lançada."
 
"Detesto shoppings." - Disse a mão, antes de dar o último soco da situação desnecessária da vez.

2 comentários:

  1. Muito bom! Um texto todo metafórico e reflexivo.
    Acredito que as mãos "gostam" de dar murro em ponta de faca, talvez elas sejam masoquistas hahahaha

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  2. Obrigaaaada!

    Concordo com você, faltou dizer isso kkk

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