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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O nonsense e a realidade em Flappy Bird

O Flappy Bird é um joguinho para androids. No Flappy Bird, não existe reencarnação. No Flappy Bird, o personagem sofre de osteoporose avançada (não aguenta uma queda, falece no primeiro tombo sério).


Nonsense
O protagonista aparenta ser uma cabeça de pato, mais olhudo do que o normal e com uma única pena localizada no que sobrou do corpo que ele não tem. Essa única pena (já que não dá pra ver sinal da outra) é a sua ineficiente asa, que não proporciona voos planos. A ineficiência da suposta única asa é o que dá sentido (sentido? será mesmo?) ao jogo: tocar a tela infinitamente para que a cabeça de pato não caia no chão.

O Flappy Bird não tem fim, nem pausas, nem fases, e nem chefão. (Ou tem e eu não cheguei lá porque eu não passo dos 35 pontos.) Ao longo do jogo, não há nada que aumente a dificuldade gradativamente: ele é simplesmente difícil o tempo todo. (Ou será que eu sou muito ruim mesmo?)

O cenário lembra Mario Bros, e não sou só eu que acho isso. Uma conhecida me relatou que ela chegou a pensar que o objetivo do jogo era entrar nos caninhos verdes. Antes fosse, antes fosse...
O "Flappy" não esboça expressão alguma, é totalmente apático. Não lembra em nada o Mario Bros, que parecia feliz, boa gente e tinha objetivos nobres (salvar a princesa, enfrentar monstros, ingerir cogumelos). O Flappy é simplesmente indiferente. Ele assistiu Procurando Nemo e ficou obcecado com a parte do "continue a nadar". No seu caso, virou um continue a voar, continue a se esquivar. Ele ficou tão obcecado com o filme que adquiriu essa cara de peixe morto, sem memória.

Um pássaro que só voa mediante o touch screen, sem corpo e com cara de peixe. A Dolly também não entenderia.

Realidade
O jogo reproduz 3 ideais MUITO distintos, quase que antagônicos, ao mesmo tempo: o industrialismo, o anti-materialismo e o niilismo.

1. Por não ser possível dar pause no jogo, Flappy Bird nos diz que Time Is Money: expressão surgida no contexto da era industrial que significa, basicamente, que quanto mais se trabalha mais se ganha. O capital precisa ser acumulado. Na medida em que você perde seu tempo ultrapassando os caninhos verdes as suas moedinhas aumentam.

2. Os últimos desejos de Alexandre, O grande: não importa quantas moedas você tenha acumulado e nem quantos canos você tenha conseguido atravessar, o seu tombo não será perdoado e você morrerá tão subitamente quanto alguém com 2 ou 3 moedas. Não levamos nossos bens materiais para o túmulo. Morremos de mãos vazias. O Flappy também, e ele nem tem mãos.

3. Nihil - niilismo (nadismo), a morte do sentido : O despropósito da vida, o nonsense da caminhada humana. A falta de sentido da existência. O jogo não tem uma meta fixa, o passarinho não chega nunca a lugar nenhum, não faz diferença nenhuma se ele passou por 100 canos verdes, se está de dia ou de noite e nem se ele é azul, vermelho, ou amarelo.

Por que estamos jogando isso?


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