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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sobre Deus ser um micróbio no alface


Deus é um micróbio celestino. Micróbio porque é invisível, celestino porque é celeste - prefiro celestino ao invés de celestial porque celestial me lembra um CD de uma banda pop mexicana, e Deus - micróbio musical - só deve escutar gospel. Se bem que celestino me lembra o sertão. Espero, portanto, que não existam duplas de sertanejo gospel para que eu possa terminar esse texto.

Deus sertanejo. Caso os boatos se confirmem e Deus seja realmente brasileiro, poderíamos ter um micróbio celeste de bota, cabelo arrepiado e calça apertada. A propósito, Deus, por que você calça a bota e bota a calça ao invés de botar a bota e calçar a calça? (Deus sabe o que faz...)

Saindo um pouco da parte celestina e indo para a parte do micróbio: por que vocês não compram um microscópio para ver Deus? Com as lentes benzidas pelos padres e os padres lentos pelas benzidas...

Mas eu não deveria estar falando de Deus. É pecado falar de Deus em vão. E, por extensão, é proibido que pessoas vãs falem de Deus. E eu sou completamente vã partindo desse ponto de vista. Sou tão vã, mas tão vã, que eu deveria dirigir uma van. Meu nome deveria ser Vânia, a motorista de van.

Na biologia, há uma parte chamada taxonomia. E, embora eu tenha passado de raspão no ensino médio, eu sei que os organismos estão classificados por reinos. Deus, o micróbio, pertence ao reino dos céus. O reino dos céus é diferente dos outros e aceita uma espécie inferior a Deus: os humanos. Mas Deus aceita os humanos no seu reino dos céus porque os humanos são a imagem e semelhança dele (- ou Dele?). Deus, esse micróbio narcisista. Julga os humanos pela capa e nem se mostra a olho nu. Deus, micróbio moral, quer os nossos olhos vestidos para que não vejamos nem a sua capa e nem as suas páginas. Deus, micróbio iletrado, não escreveu o próprio livro e mesmo assim nós, os inferiores, atribuímos todas as páginas da bíblia ao seu corpo microscópico sem mãos. Ainda estou com a imagem do Deus micróbio sertanejo de calça apertada na minha cabeça. Me parece engraçado. Reconheço que talvez possa ser de mau gosto, mas ainda sim, engraçado. A graça das coisas acontece do mesmo modo que o sal na comida: a gosto. Eu sempre ponho menos sal do que as outras pessoas.

E por falar em comida, a conclusão do texto é de utilidade pública: lave bem os alimentos que são ingeridos crus, Deus pode estar no seu alface. Deus, o micro-organismo da salada. Deus é bom, mas só se consumido com moderação. Deus demais na hora do almoço causa infecção estomacal. Eu sempre lavo meu alface mais de uma vez. Não quero Deus. Nem micróbios. Nem sertanejo gospel. E estou vendendo o CD celestial da banda mexicana.


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